Padre Joãozinho - Sagrado Coração de Jesus ...............

Como surgiu sua carreira de compositor e cantor?
A palavra "carreira" não soa muito bem aos meus ouvidos. Preferiria responder como surgia a vocação para evangelizar por meio da música. Pois não sou cantor e muito menos artista.
Canto e toco desde os 10 anos de idade. Neste tempo já brincava de celebrar missa. Acredito que não sou muito criativo, pois hoje, 26 anos depois, ainda faço a mesma coisa. Sinto que Deus me chama para ser seu ministro no meio do povo. Como diz o fundador da congregação a que pertenço: Profeta do amor e ministro da reconciliação.

Qual a sua formação musical?

Estudei desde os 11 anos no seminário. Tínhamos aulas de música, teatro, latim, história da língua portuguesa, latim, grego... matérias que normalmente não se ensina em outras escolas. Tive também aulas de violão. Estimulava-se muito a criatividade, a composição. Compus minha primeira canção aos 12 anos de idade. Até hoje não gravei aquela música. Aliás, existem mais ou menos umas 150 canções desta época que jamais irei gravar em disco. São lembrranças da minha infância.

Que importância o sr. atribui à evangelização pela música?
Agora sim! A música é meramente importante. Não é necessária. Só Deus é necessário. A música tem a força de dizer coisas que não cabem nas palavras. Conforme lembra o Papa João Paulo II na carta aos artistas: o bom se refugia no belo. A beleza é dom de Deus. No princípio Deus viu que tudo era bom. Mas podería-se traduzir também assim: E Deus viu que tudo era belo. O Salmo 32,3 manda sustentar a louvação "com arte".
Mas às vezes veo músicos rigidamente fixados na arte e esquecem de cantar para Deus. Facilmente se cai na vaidade da beleza. Outros proscuram o próprio louvor e prestígio. Só a Deus o nosso louvor!!!

Qual a relação entre o instrumento e a parte ministerial? Como o sr. vê o "ministrar" através do instrumento musical?
A música intrumental é tão importante quanto a vocal. Pode-se converter alguém com o toque ungido nos pratos de uma bateria, ou no sopro de um sax. Mas se o músico estiver com pecados e mágoas, com certeza isto também ecoará em sua música instrumental. É preciso afinar as cordas do violão e do coração.

Com toda essa explosão de CDs católicos no mercado de música, o sr. não acha que pode haver banalização da música católica como meio de evangelização?
Parece que a pergunta já deu a resposta. Devo dizer sim... ou não??? Penso que sobre isso toda simplificação é perigosa. Tenho um grande carinho por padres como o Zeca, o Fábio e o Marcelo. São gente de Deus. São profetas. Não estão muito preocupados com a técnica. Mas por acaso alguém gravou as canções de uma missa onde havia um "clima todo diferente". Vendeu 4 milhões de cópia. Faz pensar.

Como equilibrar, na música, a técnica e a espiritualidade?
Boa pergunta. Como saber quato sal colocar na comida? A cozinheirza sabe para além das teorias e receitas. Não há formula para isso. Mas é preciso querer fazer esta síntese. O primeiro passo é questionar as motivações. Por que estou aqui no ministério de música? Se for por causa de Jesus e de sua glória, o resto virá por acréscimo: Buscai o Reino de Deus em primeiro lugar. Foi o conselho de Jesus.


Como surgem as suas composições (letra e melodia)?
As melhores surgem espontâneam,ente, lertra e melodia juntas. Não tenho domínio sobre este processo. Às vezes fico 5 meses sem compor e em uma semana faço 10 canções.

Que orientações o sr. dá para que se possa compor letra e melodia?
Rezar muito e pedir a inspiração. Depois trabalhar longamente a inspiração. É um trabalho lento e cuidadoso. Não basta a unção. É preciso o trabalho.

Pe. Joãozinho SCJ

Fonte: Revista O Pão da Vida
Autorizado por Pe.Joãozinho