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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Entrevista exclusiva concedida ao Sistema de Comunicação Canção Nova

Estamos diante da chegada de Bento XVI ao Brasil. Como já é perceptível e sentido por todos nós, há um clima de religiosidade no ar e um redespertar de valores culturais, éticos e morais. Valores estes que estão intimamente ligados à imagem do Sumo Pontífice como também à própria natureza do povo católico. Por esta razão, o Sistema Canção Nova de Comunicação solicitou uma entrevista exclusiva com o presidente Luis Inácio Lula da Silva e foi prontamente atendido.

cancaonova.com: Senhor Presidente, obrigado por sua gentileza em nos atender no Palácio do Planalto e seja bem-vindo aos lares que acompanham a Canção Nova no Brasil e em dezenas de outros países.


Presidente Lula: Ronaldo, primeiro eu quero te cumprimentar e dizer que é importante esse momento da vinda do Papa Bento XVI e que o Sistema Canção Nova, na hora que quiser ter uma conversa comigo, eu estarei disposto a tê-la. Eu acho que a vinda do Papa é um momento extraordinariamente rico para o Brasil porque o país vive uma espécie de momento mágico com a vinda dele, visto que é o país católico mais importante do mundo. A Igreja no Brasil e na América Latina tem um papel extraordinário na formação da sociedade, na luta contra as injustiças e na elaboração de políticas sociais. Eu penso que é importante a vinda do Santo Padre nesse momento histórico do Brasil e, ao conhecer um pouco o povo brasileiro, ele vai sair daqui (eu tenho certeza) comprometido muito mais com o nosso querido país.

cancaonova.com: Ressaltando os valores e a contribuição da Igreja no Brasil, e falando especialmente da multidão de católicos – aproximadamente 140 milhões –, como o senhor acha que a contribuição dessas pessoas poderia melhorar ainda mais na qualidade de vida, na justiça social e na igualdade entre a nossa Nação, salientando esses valores primordiais do Cristianismo?

Presidente Lula: Eu sou católico, mas muito mais do que ser católico, eu sempre tive uma relação muito forte com a Igreja Católica, sobretudo com os movimentos sociais ligados a ela. Eu digo sempre que nós não teríamos fundado a CUT e o PT se não fosse a participação de vários agentes da Igreja Católica participando de forma muito ativa. Eu penso que os católicos brasileiros e a família brasileira católica têm um papel a cumprir no fortalecimento da nossa democracia e na inclusão social que ainda precisamos fazer, porque falta muito a ser feito no Brasil, sobretudo, na recuperação de uma entidade da sociedade chamada família, porque vivemos num processo de desagregação desta por "n" razões. Precisamos ter em conta que se a família está bem, o resto todo mais vai bem. Se a família não está bem, tudo o mais vai mal no nosso mundo.

cancaonova.com: O senhor é de formação católica, pais católicos. É verdade que o senhor é franciscano?

Presidente Lula: Olha, eu tenho grandes amigos franciscanos, como o Leonardo Boff, o Dom Paulo Evaristo Arns, ou seja, dois exemplos de companheiros com quem eu tive uma militância muito forte na Igreja e devo a eles muitas das coisas que eu aprendi. Agora, eu acho que São Francisco de Assis, na verdade, é um exemplo de vida para quem quiser praticar atos de bondade ou atos que sejam dignos de respeito da sociedade.

cancaonova.com: O Governo brasileiro sempre teve boas relações diplomáticas e de amizade com a Igreja Católica, sobretudo, a sua gestão e o senhor, que conserva essas amizades até hoje. Como nasceram esses laços, e como eles influenciam, hoje, a sua ação?

Presidente Lula: A minha relação com a Igreja, no fundo, a relação mais política com ela, nasceu por conta das greves de 1978. É importante esse lado da minha história, porque, quando tudo estava praticamente perdido, a gente não tinha nem espaço para fazer uma assembléia. E qual foi o lugar que nós encontramos? Foi a Igreja Católica. Foi o espaço dela, seja no salão paroquial ou a própria Igreja que nos acolheu e nos defendeu, e nisso, Dom Cláudio Hummes e Dom Evaristo Arns tiveram um papel exuberante. Quantas vezes, nós tivemos que correr juntos para não ser agredidos? Então, essa relação virou uma coisa muito forte, uma coisa que faz parte da minha vida. Há uma relação de admiração e, ao mesmo tempo, de respeito; sobretudo, respeito pela atitude que essas pessoas têm no trato das questões sociais quando se trata de cuidar dos mais pobres no nosso país.

cancaonova.com: Como o senhor considera, hoje, a forma com que a Igreja acompanha o seu governo, às vezes, fazendo criticas positivas, às vezes, fazendo observações?

Presidente Lula: Você sabe que eu sou um homem chegado às críticas, aliás, grande parte da minha assessoria, só é minha assessoria porque faz crítica. Normalmente, as pessoas gostam de assessores que falam bem de você; mas eu prefiro pessoas que sejam justas, que digam a verdade, mesmo quando as verdades não são boas. Eu encaro as críticas feitas pela Igreja, às vezes, pela CNBB, com naturalidade. São instituições de muito peso na sociedade brasileira, instituições respeitadas por sua história e, muitas vezes, eu não discordo das críticas; outras, eu discordo. Muitas vezes, eu tenho conversado com a CNBB para lhes mostrar quais são os enganos que eles cometem nas críticas e quais são as coisas justas que são faladas. Nós temos que ver isso como um ensinamento para possamos acertar dali para frente.



cancaonova.com: O que o senhor pretende, a partir disso, tendo em vista essa relação de amizade e companheirismo, tratar com Bento XVI?

Presidente Lula: Primeiro, o Papa, como anfitrião, é que vai tomar a iniciativa de tocar nos assuntos que ele pretende conversar comigo. Uma coisa que eu gostaria de conversar com sua Santidade, Bento XVI, é a questão social no Brasil, sobretudo, envolvendo a juventude. Outra coisa, é a questão da família brasileira. Eu, hoje, sou um homem convencido de que parte dos problemas sociais, que nós temos, e que envolvem a juventude brasileira, é por falta de perspectiva dessa juventude. Falta-lhes uma utopia, falta-lhes uma esperança, e, muitas vezes, essa esperança começa a acabar dentro de casa, por problemas familiares que somente o pai e a mãe, que têm os filhos vivendo juntos, é que sabem. Então, eu penso que, a partir da família, a gente pode recuperar essa juventude, pode apresentar um rumo para ela. Obviamente, que o Estado pode fazer a sua parte, mas eu não acredito que ele [Estado] sozinho resolva o acúmulo de problemas sociais e históricos que foram criados nesse país. Eu dou o seguinte exemplo: o jovem com 17 anos, que comete um delito qualquer, que está desencaminhado, nós, ao invés de o punirmos, temos que saber de onde vem a origem que o levou a ser um jovem problemático. Foi no vizinho ou foi dentro de casa? Normalmente, a gente culpa os vizinhos. Geralmente, quando a criança vai mal na escola, o culpado é o parceiro da escola. Quando a criança comete uma peraltice qualquer, também é o vizinho. Nós nunca olhamos para dentro de nós mesmos e nos perguntamos onde nós estamos errando. Onde o pai e a mãe erram, onde a família erra? Porque se a gente conseguir detectar isso e consertar, certamente nós iremos recuperar esse jovem.

cancaonova.com: O senhor se mostra um bom evangelizador.

Presidente Lula: Tem gente que não gosta de religião, mas eu digo o seguinte: se tem uma coisa que eu não conheço na vida é um jovem religioso desencaminhado. Portanto, eu acho que a religião é uma forma de você colocar as pessoas num bom caminho.

cancaonova.com: O Papa quis vir ao Brasil para abrir uma Conferência latino-americana. O senhor, politicamente, tem defendido uma atuação em blocos desses países da região. A Igreja, como o senhor citou, defende sempre essas causas muito semelhantes às causas políticas também. Como pode contribuir uma cúpula formada por bispos latino-americanos com uma melhora na política social dessa região?

Presidente Lula: Primeiro, eu vejo isso de forma extraordinária, porque o processo de integração, que eu penso para a América Latina, é um processo que é político, econômico, social, cultural, educacional e também religioso, porque essa região tem um papel muito importante da Igreja Católica. Eu tive a oportunidade de, na década de 80, final dos anos 70, acompanhar mais de perto o que acontecia com ela [Igreja] em todos os países latinos, como ela ajudou a combater as injustiças e a defender os direitos humanos, ao mesmo tempo, tendo uma forte participação de inclusão social. O fato de o Papa vir ao Brasil e fazer aqui esse encontro latino-americano, eu acho que é um passo extraordinário; porque, quem sabe, daqui para frente, nós falemos da integração do movimento sindical e social, pois, agora, vamos consolidar a integração religiosa, porque a religião está muito forte em todos os países da América Latina.

cancaonova.com: Presidente, em nome de toda a obra Canção Nova e de seu fundador, padre Jonas Abib, quero agradecê-lo por essa hospitalidade que o senhor nos deu no Palácio do Planalto e fazer-lhe um convite: visitar a nossa sede em Cachoeira Paulista (SP). O senhor aceita?

Presidente Lula: Sabe que eu tenho vontade de ir a Cachoeira Paulista e levar uma mulher que trabalha comigo no Alvorada, Dona Idalina, porque ela é fanática e o sonho dela é conhecer esse lugar. Está o convite feito, quem sabe na primeira oportunidade que eu tenha em São Paulo.


WebTV: Veja entrevista na íntegra
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09/05/2007

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