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Padre André Luna
Padre André Luna

"Nas coisas mais simples, eu sinto que Deus me fala"

"Sou Bethânia na alma, no coração, no corpo, no pensamento". É assim que se autodefine padre André Luna, dehoniano consagrado há um ano e meio à Comunidade Bethânia – fundada pelo saudoso padre Léo. A amizade entre os dois começou antes da época do seminário, por isso a presença de padre André sempre foi constante, desde o nascimento, nessa obra de Deus.

Este ano, o missionário e músico gravou o CD "Dentro de casa". Questionado sobre o tema, ele explica que é dentro de casa que o céu começa, pois "o céu é feito de pequenos esforços, de abraço, de colo de pai e de mãe, de repartir o pão", explica. Ele relata que a obra também fala das experiências com muitas famílias "desfiguradas" que conheceu durante os primeiros quatro anos de vida sacerdotal no Rio de Janeiro (RJ).



Nome: André Luna
Data de Nascimento: 13/11/1972
Data de Ordenação Sacerdotal: 22/12/2001
Tempo de Seminário: 13 anos até ser ordenado padre.
Música: Filho Pródigo: "Confiei no Teu amor e voltei...".
Frase: Deus me ama do jeito que eu sou. Sou complicado, mas Ele me ama.
Santo: Santo Antônio de Pádua.
Uma qualidade: Gosto da simplicidade da vida.
Uma limitação: Sou muito voltado para mim mesmo; muitas vezes isso cansa.
Um sonho: Eu quero morrer muito velhinho em Bethânia, uns 94 anos.
Uma realização: Bethânia, a minha vida. Sou feliz demais e Bethânia é a minha realização.
Uma passagem bíblica: "O Senhor me sonda, o Senhor me conhece, o Senhor sabe tudo de mim. Quando eu vou ao abismo, na tristeza, o Senhor mergulha comigo" (cf. Salmo 138).
Uma pessoa de referência: Meu pai, minha mãe e o Léo.
Um medo: Medo de não deixar Deus fazer de mim o que Ele quiser; medo de eu querer controlar a minha vida.
Uma dor: Duas vezes eu senti a dor de perder um filho em Bethânia. A dor de um filho ir embora.
Uma alegria: A alegria de ver um filho bonito, se restaurando em Bethânia, feliz, lutando.
Uma saudade: Tenho sempre saudade de casa; e casa para mim, hoje, é o pai, a mãe, os meus sobrinhos, o padre Vicente, que é meu irmão desde 1989, quando entramos, juntos, no seminário.
Bento XVI: O coração de Deus que eu preciso conhecer melhor. Homem firme na fé.
Missão: Acolher cada filho em Bethânia como o próprio Cristo.
Política: Difícil, exigente, muita omissão da nossa parte. Não podemos deixar tudo para o político; temos que brigar.
Família: O que eu tenho de mais bonito.
A manifestação de Deus em sua vida: Nas coisas mais simples eu sinto que Deus me fala. As pessoas me ajudam a rezar e isso marca muito a minha experiência de Deus.
Eucaristia: A cada dia é o que sustenta a minha fidelidade; eu, padre, sou um homem da Eucaristia.
Nossa Senhora: Mãe com quem eu estou aprendendo a ser mais comprometido. Sou um filho meio rebelde ainda.
Padre Léo: Irmão mais velho e pai. Lembro-me dele todos os dias, especialmente quando peço a Deus a graça de ser um padre mais santo e de gastar a minha vida. Daí, eu me lembro do Léo, porque eu quero ser igual a ele; quero me desgastar em Bethânia.
Bethânia: Bethânia é um abraço.


cancaonova.com: Há quanto tempo o senhor está na Comunidade Bethânia e como a conheceu?


Padre André: Há um ano e meio... (eu não fiz a conta ainda). O Léo [padre Léo, fundador da Comunidade Bethânia, falecido há um ano e meio] falava para vivermos cada dia; mas eu arredondo para um ano e meio, quase dois anos. Há muito tempo Bethânia está presente na minha vida, desde 1995 quando ela foi fundada. Padre Léo foi meu professor, foi da mesma congregação que a minha e do padre Vicente (Sagrado Coração de Jesus). Então, quando o Léo a fundou, em 12 de outubro de 1995, eu era aluno dele. Nós participávamos das Santas Missas na capela do Espírito Santo, em Santa Catarina. A Comunidade Bethânia sempre esteve em minha vida. O Léo pregou na minha primeira Missa e as minhas primeiras confissões de padre foram em Bethânia. Vinte dias depois de ordenado, fui para lá e fiquei por uma semana. Ela é bem marcante na minha vida.


cancaonova.com: E o que o fez viver em comunidade?

Padre André: Sempre vivi em comunidade, desde 1989, no seminário do Coração de Jesus; mas Deus colocou em meu coração essa necessidade maior. Eu precisava de Bethânia como eu preciso hoje. Posso dizer, como o Léo disse um dia para os superiores da congregação: "Olha, para o meu ministério, preciso de Bethânia; lá é o meu lugar". É o lugar onde eu quero envelhecer e gastar a minha vida; é onde Deus me quer.


cancaonova.com: O senhor conheceu o padre Léo quando ele foi seu professor ou já o conhecia antes?

Padre André: Eu conheci o Léo 2 anos antes de ele ser meu professor, porque ele foi pregar um retiro em Dourados (MS), minha cidade natal. Ele foi o primeiro padre dehoniano a ir à casa de meus pais. Então, desde 1990, o Léo já está em minha vida e na de minha família.


cancaonova.com: Como está, hoje, sua história com a comunidade? O senhor já é consagrado?

Padre André: Eu sou Bethânia na alma, no coração, no corpo, no pensamento. Eu sou consagrado e faço parte da comunidade, como membro, desde 12 de outubro de 2006. Padre Léo ainda estava vivo. Foi o último 12 de outubro [data comemorativa de fundação] em que ele esteve presente na presença física. Neste dia, eu me tornei um membro da comunidade.



cancaonova.com: O carisma de Bethânia traz também a essência do carisma dehoniano?

Padre André: Com certeza. O Léo coloca em nosso "Viver Bethânia" (o nosso Estatuto) que a primeira inspiração foi o Coração de Jesus no carisma da Congregação do Sagrado Coração. A nossa congregação vive o carisma da restauração, da reparação; é reconstruir o Cristo. Em Bethânia, o nosso carisma absoluto é o acolhimento do filho [como são chamadas as pessoas acolhidas para a recuperação] e a restauração dele. Nós o vemos como o próprio Cristo.


cancaonova.com: Qual o desafio de estar em Bethânia, trabalhar e ser missionário sem o fundador?

Padre André: É algo muito novo ainda. A providência de Deus passa, na nossa vida, pelo padre Léo em tudo. Em tudo nós lembramos dele, nós o vemos, porque ele transpareceu, transbordou o carisma de fundador que está nele. A melhor maneira de mantê-lo vivo é no amor aos filhos. O filho e a filha, dentro de Bethânia, é o próprio Cristo. Deus há de nos dar a graça da fidelidade de sermos Bethânia mesmo, olhando cada filho, cada filha. Quando eu cheguei na comunidade, o Léo já não estava mais fisicamente, mas ele está vivo, pois a vida continua em Deus. Eu disse, quando cheguei na comunidade que eles [ filhos da comunidade] precisavam me ensinar a “ser Bethânia” como eles ensinaram ao Léo.


cancaonova.com: Como a música entrou na vida do senhor?

Padre André: A música entrou na minha vida muito cedo, quando adolescente. Participei de dois festivais; no primeiro eu não fui. Peguei uma música popular e coloquei uma letra de Igreja. Foi a primeira vez em que eu pensei em mexer com isso. Foi automático, espontâneo.


cancaonova.com: Mas por que o senhor não foi?

Padre André: Porque lá não era o meu lugar; era difícil. E a vergonha? Se eu cantasse, no meio do povo, eu ia desmaiar. A timidez não deu certo. Então, a música entrou na minha vida com a minha vocação, porque, logo que eu comecei a aprender a tocar violão, eu comecei a fazer música; ninguém me mandou fazê-la. Era uma necessidade de falar e de ouvir Deus falando. Eu comecei a estudar, a me perguntar e a me questionar: "Meu Deus, o que o Senhor quer de mim?".

cancaonova.com: Quantos anos o senhor tinha?

Padre André: Eu tinha catorze anos e a música entrou na minha vida pelas fitinhas cassetes da Canção Nova. Eu ia para o carro, porque não tinha som em casa, colocava a fita, fechava todos os vidros e ouvia "Vem louvar 3", "Vem louvar 2". Eu ouvia guitarra, bateria e pensava: "Meu Deus! Que coisa maravilhosa! Eu quero isso para a minha vida!".


cancaonova.com: Conte-nos mais sobre seu novo CD "Dentro de casa" e por que escolheu este título.

Padre André: Porque "dentro de casa" é onde o céu começa. Essa é a síntese do meu CD; ele fala de céu e o céu começa na família, no dia-a-dia. Ele é cotidiano, é feito de pequenos esforços, de abraço, de colo de pai e de mãe, de repartir o pão. Nos meus primeiros quatro anos de vida sacerdotal, no Rio de Janeiro (RJ), bairro da Penha, eu deparei com uma realidade bem difícil: a desfiguração da família. Comecei a perceber Deus me falando de um filho que iria me procurar, na confissão, para falar que seu pai fora embora. O CD "Dentro de Casa" retrata muitas histórias, de muitos rostos e nomes, que passaram a ser minhas, porque Deus me falou algo a partir delas.

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30/06/2008

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