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Padre Paulo Ricardo
Padre Paulo Ricardo

"Os pais se comportam cada vez mais como mães, o que tem consequências sérias para a criança".

Nesta semana o portal cancaonova.com traz até você uma entrevista com padre Paulo Ricardo, sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT), para falar sobre as mudanças do comportamento da figura paterna em nossa sociedade e as consequências dessa transformação no desenvolvimento da criança.

No áudio abaixo você confere, na íntegra, este depoimento.




cancaonova.com: Ao acompanhar muitas famílias no seu ministério sacerdotal, o senhor acredita que a figura paterna esteja mudando em nossa sociedade?


Padre Paulo: Sem dúvida nenhuma, a figura paterna está mudando na nossa sociedade, mas esta mudança não é natural. A mudança da figura do pai faz parte de toda uma engenharia social, ou seja, a ideologia dominante – que é a socialista marxista – pôs na cabeça de muita gente que os males da sociedade atual são causados por uma sociedade patriarcal, portanto, liderada por homens, heterossexuais, brancos e ricos ou seja, o "bicho-papão" da sociedade atual. De acordo com essa concepção o culpado de tudo é o homem branco, rico, heterossexual e eu acrescento mais uma coisa: o homem cristão. Então, se você tem estas cinco qualidades saiba: você é a "peste bubônica", você é "o culpado de tudo" [para eles]. Esse trabalho de engenharia social tenta estigmatizar os ricos, ou seja, ser rico é vergonhoso. Tenta fazer com que os cristãos sejam tímidos e tenham vergonha de ser cristãos. Eles tentam fazer com que os heterossexuais sejam cada vez mais afeminados, daí o fenômeno dos "metrossexuais", ou seja, o "cara" tem atração por mulher, mas ele está quase pedindo desculpa por gostar de mulher e cria todo um fenômeno gay ao redor dele. Então, o "cara" gosta de mulher, mas ele tem que ter creminhos, pintar o cabelo, pôr brinquinhos, usar baby-look, calça collant, para parecer gay, no entanto, ele gosta de mulher. E, assim, o pai tem que ser cada vez mais mãe, ou seja, é a decadência da figura paterna, porque o pai é aquela figura que está ligada a uma lei, a um limite, enquanto a mãe é ligada mais à figura acolhedora e misericordiosa. E é exatamente este tempero de limite na dose certa e a misericórdia na dose certa que faz com que a educação da criança seja resolvida e que ela seja no futuro uma pessoa equilibrada.

Acontece atualmente que, por causa desta "saraivada" de críticas contra a figura do pai e contra a sociedade patriarcal, os homens estão ficando cada vez mais com vergonha de ser pais. Existe um fenômeno, introjetado no homem de hoje, no qual ele se sente culpado por ser homem, culpado por ser pai; então ele quer ser cada vez mais delicado, cada vez mais feminino, cada vez mais “mãezinha”, e nós vemos o homem com a criancinha no colo parecendo mais uma mãe do que um pai, e daí a criança tem duas "mães": uma com barba e outra sem barba. Dessa forma, teremos uma criança sem limites e sem lei. O que significa isso? Isso é um pressuposto necessário para a fundação anárquica, que é, no fim das contas, o destino – digamos assim – da sociedade socialista, pois o regime marxista socialista quer implantar uma ditadura do proletariado, ou seja, do povo pobre que deveria fazer a ditadura, mas é evidente que quem a [ditadura] faz é uma classe de intelectuais com a desculpa de que um dia este governo “tirânico” e “opressor” não será mais necessário e, então, reinará a “paz” e a “liberdade”, pois não haverá governo para ninguém.

Os homens estão ficando cada vez mais com vergonha de serem pais
Foto: Wesley Almeida/CN

Nós temos, na sociedade, um grande medo de representar a lei, o juiz se sente culpado por representá-la, o policial se sente culpado por ser policial. Num tiroteio numa favela morrem dois policiais e um bandido, por exemplo, todas as Ongs vão ao enterro do bandido, enquanto os meios de comunicação falam da opressão da polícia militar, que está muito violenta, mas ninguém vai consolar a viúva do soldado, não existem Ongs que mandam flores para o enterro do soldado que morreu. Por quê? Porque nossa sociedade atual recrimina tudo o que representa a lei e a ordem e, dentro da família, a figura do pai representa ordem, representa a lei, representa o limite, então a figura paterna está mudando e está mudando não porque são os novos tempos, não existe espontaneidade nisso. Isso também faz parte da ideologia marxista, pois ninguém mais do que eles fazem reuniões e mais reuniões de uma engenharia social para elaborar como uma sociedade deve ser, então eles são os artífices da nova sociedade. Eles dizem que é a história que está caminhando, que está amadurecendo, mas, na verdade, é a ideologia, é uma cortina de fumaça para esconder “a mão que atirou a pedra”. Os pais estão deixando de ser pais, mas isso é uma obra de engenharia social que começa nas universidades. Os nossos professores são treinados para embutir isso na cabeça de nossas crianças que vão crescendo revoltadas com estas figuras patriarcais e os meninos, cada vez mais tímidos, cada vez mais indecisos e com um nível de testosterona cada vez mais baixo - e isso é constatação de pesquisas (ou seja, está acontecendo alguma coisa na nossa alimentação). E o fato é que estamos numa crise de testosterona e de masculinidade na civilização ocidental.


cancaonova.com: Padre, quais as consequências desta descaracterização da figura paterna para o desenvolvimento humano e psíquico da criança e do futuro adulto?

Padre Paulo: A consequência nós já estamos vendo aí: insegurança. Porque a figura da mãe está ligada ao passado da criança, a mãe é acolhida, é a raiz de ternura, de amor e de afeto, à qual a criança sempre recorre. Mas a mãe também tem a tendência de segurar a criança em casa, enquanto o pai é a figura desafiadora, é aquela figura que provoca a criança a sair de casa, que a separa da mãe e que a lança  para o mundo. Quando a criança tem uma figura paterna forte ela sente que tem as “costas quentes”, ou seja, ela sente que tem alguém a protegendo e a enviando para o mundo e a faz corajosa e destemida. Mas quando você tem uma figura de pai que quer acolhê-lo como uma mamãe, que não sabe ser lei, não sabe ser provocação, não sabe ser desafio para o futuro, não acontece nada disso. Qual é a pergunta típica do pai para a mãe quando a criança apronta alguma coisa: “O que este menino vai ser quando crescer?” Ou seja, o pai é a preocupação com o futuro da criança. No entanto, a sociedade está preparando jovens que saem de casa cada vez mais tarde. O "cara" já é um adulto de 30 anos e não saiu de casa, já fez 15 vestibulares e trancou todas as matrículas da faculdade. Por quê? Porque ele não sabe o que quer da vida. Tímido, fica o dia inteiro jogando video game porque não tem coragem de enfrentar o mundo que está la fora. E lá fora nós temos uma sociedade cada vez mais violenta e sem lei, sem policiamento, o que contribui mais ainda para que os pais segurem as crianças dentro de casa. No Japão se chegou a um tal ponto que existe a "síndrome do quarto", na qual milhões de jovens passam o dia inteiro dentro de seus quartos e fazem tudo lá dentro por meio dos serviços da internet. O rapaz vive no quarto e através da internet ele pede uma pizza e tudo o que ele precisa sem pôr o pé fora do quarto.

Conheça o site de do padre Paulo Ricardo

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30/07/2010

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