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» Namorar é Pecado? "Edificou a sua casa sobre a rocha" (Mt 7,24).
É muito comum um adolescente ou jovem se questionar sobre esse tema. Vários já me fizeram essa pergunta nas escolas, encontros, retiros e até mesmo nas comunidades por onde já passei. Alguns jovens – da Paróquia onde trabalho – também já me indagaram se era pecado namorar. E outros já me perguntaram se era pecado "ficar"! Quando eles me perguntam isso, eu sempre os acolho com muito carinho. Pois, vejo nessa pergunta uma preocupação com algo que é muito sério, ou seja, o namoro. E, ao mesmo tempo, vejo um desejo de busca de santidade que é a vocação de todos nós. O Senhor nos convida à santidade em todos os estados da nossa vida, em todas as fases da nossa história. É na busca da santidade que nós nos realizamos como filhos de Deus e como seguidores de Jesus.
Para tanto, é bom termos bem claro o que é pecado. Pecado é todo ato livre e consciente que nos distancia de Deus, ferindo o nosso relacionamento com Ele e com os outros. Ao cometê-lo, somos feridos interiormente, perdemos a liberdade e a felicidade. De modo que nos tornamos prisioneiros e, ao mesmo tempo, angustiados, o que nos leva ao sofrimento.
Existem os pecados veniais e os pecados mortais. Os veniais são aqueles que nós chamamos de "leves", dos quais somos perdoados no Ato Penitencial da Santa Missa. E os mortais são os pecados "graves", que exigem de nós uma confissão pessoal com o sacerdote. E é importante salientar que tanto no Ato Penitencial como no Sacramento da Confissão – precisamos nos arrepender do fundo do coração e acreditar no perdão de Deus, comprometendo-nos na luta contra todo tipo de pecado. Para isso, contamos sempre com a graça de Deus e com o empenho pessoal.
E o “ficar” é pecado? Depende muito do que se faz nesse "ficar". Há jovens que dizem: "A gente só conversa". Conversar é algo muito bom. Desde que não tenha conteúdo malicioso, que os leve a cultivar maus pensamentos. O grande problema é que nós estamos vivendo uma espécie de "cultura da pornografia". Pois a todo instante recebemos uma avalanche de informações e imagens que tentam nos envolver e nos arrastar para uma vida descomprometida, sendo-nos oferecido apenas o prazer da carne. Precisamos dizer um basta a tudo isso! Nós não podemos nos deixar dominar pelos impulsos da carne, pois somos muito mais do que isso. Somos um conjunto de corpo e alma. Nós nascemos para as coisas do Alto! Este "ficar" – de que se fala muito hoje em dia – corre o risco de levar os jovens, simplesmente, a um "brincar" de namorar. “Fica-se” com este ou aquele, com esta ou aquela, por uma noite ou por algumas horas sem que haja compromisso algum. Isso é muito perigoso e não leva ninguém à santidade.
Namorar é pecado? O Papa João XXIII, que deu início ao grande Concílio Ecumênico Vaticano II, dizia que a Igreja é Mãe e Mestra. Como Mãe, ela nos acolhe e nos revela o infinito amor de Deus por nós. Trata-nos com carinho e faz de tudo para que sejamos felizes, dando-nos a graça de Deus por meio dos Sacramentos. Mas, a Santa Mãe Igreja é também Mestra. E como tal, ela nos orienta e nos ensina a viver melhor, – segundo a vontade de Deus –, à luz das Sagradas Escrituras. A Igreja não inventa nada. Ela transmite a “Verdade Revelada” e ensinada ao longo dos séculos. E por nos amar, abre-nos as portas do coração para que nos sintamos sempre em casa. E também nos corrige, abrindo-nos os olhos e nos orientando sobre a ética e a moral, para que não sejamos devorados pelas "ondas", das diversas épocas da vida, que tentam "nos afogar" com os modismos e agressões, principalmente contra a juventude e a família.
A Igreja sempre acreditou e sempre vai acreditar na família como uma grande bênção de Deus. A formação de uma família é semelhante à construção de uma casa. Todas as etapas são importantes, do alicerce ao telhado. A casa precisa ser edificada sobre a rocha, para resistir aos vendavais. Assim, a família precisa ser construída sobre a Rocha que é Cristo, que é o Amor, para resistir, superar e vencer todas as tempestades.
O namoro é uma época linda na vida daqueles que são chamados e vocacionados à formação de uma família, através do Sacramento do Matrimônio. É a época em que os namorados convivem mais para um verdadeiro conhecimento da personalidade e do temperamento de ambos. É o tempo de viver o encantamento que há no coração de quem ama. É o tempo de juntos rezarem e pedirem a proteção de Deus para que tudo concorra para a felicidade verdadeira. Para se conhecer uma pessoa é preciso conviver, conversar e rezar com ela. É um tempo lindo em que a relação entre o casal de namorados é cheia de respeito e ternura.
A Palavra de Deus nos ensina que há um tempo certo para tudo na vida. É por isso que os casais devem aproveitar bem este tempo abençoado de namoro para um conhecimento recíproco entre si e entre as famílias. É muito importante conhecer a família do namorado e da namorada. Há muitas coisas que são próprias deste tempo necessário na vida dos casais que se preparam para o casamento. Quanto à relação sexual, certamente é um dom de Deus, pois foi Ele quem criou o sexo. Mas, este [sexo] foi criado por Deus dentro de um projeto para unir o homem e a mulher no amor, na responsabilidade e na geração de vida, por meio dos filhos. O sexo não pode ser apenas uma busca de prazer e satisfação da carne. Não podemos empobrecer algo que é tão rico. Por essa razão, os casais de namorados, à luz da Palavra de Deus, precisam se preparar para vivê-lo no Matrimônio. Claro que isso não é fácil. Sobretudo por conta das más informações e até da pressão que se faz hoje em dia, por meio da qual se tenta obrigar todos a fazer de tudo em nome de uma falsa liberdade. Contando com a graça de Deus e com o esforço dos casais de namorados será sempre possível buscar e encontrar o caminho que conduz ao namoro santo.
Namorar é importante para aqueles que são escolhidos por Deus na formação de novas famílias. Quanto mais investirmos na família, mais estaremos ajudando o mundo a ser melhor. Quanto mais ajudarmos os jovens a descobrirem a beleza do namoro santo, mais estaremos ajudando a humanidade a crescer na dignidade e na liberdade. Namorar –, à luz da Palavra de Deus e conforme a Igreja, Mãe e Mestra, nos ensina – é uma graça. Namoro santo gera famílias santas. Não nos deixemos enganar pelos chavões que dizem: "Ninguém vive sem sexo", ou "Não tem mais ninguém virgem", ou ainda: "Ninguém namora sem sexo". Essas frases prontas são tendenciosas e mentirosas. Existem muitos que querem nos confundir. Como sacerdote há dez anos, dou o testemunho de que existem centenas de jovens que desejam a santidade e que têm um namoro santo. Não é impossível namorar sem pecar. E quando os dois se ajudam na busca da santidade, a bênção é maior ainda. O namoro é o alicerce da construção de um lar feliz.
Namorar não é pecado!
Padre Silvio Andrei |