Quarta semana da Quaresma
Palavra de vida eterna

A quarta semana da Quaresma nos encontre com as lâmpadas acesas da vivência do Evangelho. Toda a escuridão do mal será vencida se acolhermos a misericórdia de Deus. Viver a Palavra, nesta semana, será também excelente oportunidade para purificar nossa memória das marcas deixadas pelo mal praticado, assumindo plenamente nossa responsabilidade de uma vida nova, já que a culpa foi perdoada por Aquele que é rico em misericórdia. “Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, Ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos!” (Ef 2,4-5).

O amor de Deus pelo mundo

O anúncio do Evangelho passa por algumas etapas de grande importância. Em primeiro lugar, acolhemos e também transmitimos aos outros o amor do Pai. Deus é Amor! Diante de tamanha luz, reconhecemos as manchas que existem em nós, vendo a realidade do pecado. Como o Pai não nos deixou amassando barro nas lamas do pecado, acolhemos o anúncio de Jesus Cristo Salvador. De fato, Deus enviou Seu Filho ao mundo para que o mundo fosse salvo por Ele (Jo 3,17). A resposta é a fé: “Quem nele crê não é condenado” (Jo 3,18). Quem foi tocado pela graça experimentará então uma estrada de conversão, modificando os rumos de sua existência. Nascendo da água e do Espírito (Jo 3,5), acolherá o dom dAquele que batiza com o Espírito Santo (Jo 1,33). E o Espírito derramado sobre os que crêem os conduzirá a uma vida nova na Comunidade de Igreja. E é magnífico constatar que aqueles que percorrem esses passos se tornam, por sua vez, evangelizadores, suscitando em outras pessoas e comunidades o mesmo caminho. Nesta semana, queremos fazer o Retiro Popular acolhendo pessoalmente o anúncio do mistério de Cristo, para experimentarmos de novo a Luz que ilumina todo ser humano neste mundo. Rememore os passos da evangelização, recordando como aconteceram em sua vida. Se você quiser, escreva sua experiência de vida cristã, com a descoberta que fez do amor de Deus, e partilhe com outras pessoas. Na presente etapa do retiro, venha à tona a sua vida. Quem sabe você foi como Nicodemos, o adorador noturno de Cristo? Ou pode ter sido tocado à margem das praias da vida, como alguns discípulos, ou sentado na banca de impostos. Conte a você mesmo e a outros a história do amor que Deus lhe tem.

Roteiro do retiro popular

O quarto domingo da quaresma
Dia 26 de março

Hoje é domingo “Cristo é realmente a luz do mundo (cf. Jo 9,5; veja-se também 1,4-5.9), e o dia comemorativo de sua ressurreição é o reflexo perene, no ritmo semanal do tempo, dessa epifania de sua glória. O tema do domingo, como dia iluminado pelo triunfo de Cristo ressuscitado, está presente na Liturgia das Horas e possui uma ênfase especial na vigília noturna, que, nas liturgias orientais, prepara e introduz o domingo. Reunindo-se neste dia, a Igreja, de geração em geração, torna própria a admiração de Zacarias, quando dirige o olhar para Cristo anunciando-O como o sol nascente para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte (Lc 1,78-79), e vibra em sintonia com a alegria experimentada por Simeão quando tomou em seus braços o Deus Menino enviado como luz para iluminar as nações (Lc 2,32)” (João Paulo II, Dies Domini, n. 26).

Deus bom e fiel, que nunca Vos cansais de chamar à verdadeira conversão os que erram e que no Vosso Filho elevado na Cruz nos curais de todas as feridas provocadas pelo maligno, dai-nos a riqueza de Vossa graça, para que correspondamos ao Vosso amor eterno. Amém.

Faça sua leitura orante da palavra de Deus
A iniciativa da salvação é gratuita. Mesmo com toda a infidelidade do povo de Deus, o Senhor, fiel à Sua promessa, faz de Ciro, no início de seu reinado, um instrumento precioso para que o povo se ponha a caminho, após os sofrimentos do Exílio (2Cr 36,14-16.19-23). O apóstolo São Paulo exulta diante da gratuidade do dom de Deus (Ef 2,4-10), e Jesus, no Evangelho, atrai, com Nicodemos, todos os que anseiam pela luz que vem do alto (Jo 3,14-21). Escolha uma das leituras para a Leitura Orante da Palavra de Deus.

Dia e noite, vai Teu Espírito, Senhor, comigo. Dia e noite, sei que estás junto a mim. Se anoitece em meu caminho, vai Teu Espírito, Senhor, comigo; no sofrer confio em Ti, sei que estás junto a mim. Quando o sol vai apagando, vai Teu Espírito, Senhor, comigo. Se estou só, confio em Ti, sei que estás junto a mim. Caminhando com meus irmãos, vai Teu Espírito, Senhor, comigo; ao Teu lado hei de vencer, sei que estás junto a mim. E, ao chegar minha hora, vai Teu Espírito, Senhor, comigo, vai levar-me para perto de Ti, sei que estás junto a mim. 

Caridade em ação
O maior serviço que a Igreja pode oferecer à humanidade é o anúncio do Evangelho. Assuma, como gesto de caridade pessoal nesta semana, anunciar o amor de Deus a alguma pessoa. É o chamado jejum do “respeito humano”!

Deus, rico em misericórdia

Como tem acontecido a cada semana, aqui está uma leitura espiritual que pode gerar muitos frutos em sua vida. Ela foi tirada da encíclica de João Paulo II sobre a misericórdia (número 8):

“A Cruz de Cristo sobre o Calvário é também testemunha da força do mal em relação ao próprio Filho de Deus: em relação Àquele que, único dentre todos os filhos dos homens, era por sua natureza absolutamente inocente e livre do pecado, e cuja vinda ao mundo foi isenta da desobediência de Adão e da herança do pecado original. E eis que precisamente nEle, em Cristo, é feita justiça sobre o pecado à custa de Seu sacrifício, de Sua obediência até à morte. Aquele que era sem pecado, Deus O tratou, por nós, como pecador. É feita justiça também sobre a morte, que, desde o início da história do homem, se tinha aliado ao pecado. E esse fazer-se justiça sobre a morte realiza-se à custa da morte daquele que era sem pecado e o único que podia, mediante a própria morte, infligir a morte à morte. Desse modo, a Cruz de Cristo, na qual o Filho consubstancial ao Pai presta plena justiça a Deus, é também revelação radical da misericórdia, ou seja, do amor que se opõe àquilo que constitui a própria raiz do mal na história do homem: se opõe ao pecado e à morte. A Cruz é o modo mais profundo de a divindade se debruçar sobre a humanidade e sobre tudo aquilo que o homem, especialmente nos momentos difíceis e dolorosos, considera seu infeliz destino. A Cruz é como que um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem, é o cumprirse cabalmente o programa messiânico, que Cristo um dia tinha formulado na sinagoga de Nazaré e que repetiu depois diante dos enviados de João Batista. Segundo as palavras da profecia de Isaías, tal programa consistia na revelação do amor misericordioso para com os pobres, os que sofrem, os prisioneiros, os cegos, os oprimidos e os pecadores. No mistério pascal são superadas as barreiras do mal multiforme de que o homem se torna participante durante a existência terrena. Com efeito, a Cruz de Cristo nos faz compreender as mais profundas raízes do mal que mergulham no pecado e na morte, e também ela se torna sinal escatológico. Será somente na realização escatológica e na definitiva renovação do mundo que o amor vencerá, em todos os eleitos, os germes mais profundos do mal, produzindo como fruto plenamente maduro o Reino da vida, da santidade e da imortalidade gloriosa. O fundamento dessa realização escatológica está já contido na Cruz de Cristo e em sua morte. O fato de Cristo ter ressuscitado ao terceiro dia constitui o sinal que indica o arremate da missão messiânica, sinal que coroa toda a revelação do amor misericordioso no mundo, submetido ao mal. Tal fato constitui ao mesmo tempo o sinal que preanuncia um novo céu e uma nova terra, quando Deus enxugará todas as lágrimas de seus olhos; e não haverá mais morte, nem pranto, nem gemidos, nem dor, porque as coisas antigas terão passado. Na realização escatológica, a misericórdia se revelará como amor, ao passo que no tempo presente, na história humana, que é conjuntamente história de pecado e de morte, o amor deve revelar-se sobretudo como misericórdia e ser realizado também como tal. O programa messiânico de Cristo – programa tão impregnado de misericórdia – torna-se o programa de Seu povo da Igreja. Ao centro desse programa está sempre a Cruz, porque nela a revelação do amor misericordioso atinge seu ponto culminante. Enquanto não passarem as coisas antigas, a Cruz permanecerá como o lugar a que se poderiam aplicar estas palavras do Apocalipse de São João: ‘Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir, entrarei em sua casa e cearemos juntos, eu com ele e ele comigo’. Deus revela também de modo particular sua misericórdia, quando solicita o homem, por assim dizer, a exercitar a misericórdia para com Seu próprio Filho, para com o Crucificado.”

A quarta semana da quaresma
Para iniciar, reze assim:

Vem, ó Santo Espírito, manda do céu, a todos nós, um raio da Tua luz, um raio de luz. Vem, ó Pai dos pobres, vem, doador de tantos dons, luz de cada coração, dos corações. Consolador perfeito, hóspede doce da alma, suave alegria, suave alegria. Na fadiga, repouso; no calor, restauro; em todo pranto, conforto. Luz beatíssima, invade nossos corações; sem Tua força, nada, nada existe no homem. Lava o que é impuro, aquece o que é frio, eleva o decaído, eleva o decaído. Doa a todos os Teus fiéis, que confiam sempre em Ti, Teus santos dons, Teus santos dons. Doa virtude e prêmio, doa morte santa, doa alegria eterna, doa alegria eterna.

Leitura orante da palavra de deus

Dia 27 de março, segunda-feira: 1a leitura: Is 65,17-21; Evangelho: Jo 4,43-54.
Por causa de sua reputação, Jesus é bem acolhido na Galiléia. Mas esse acolhimento é ambíguo. Não é ainda a verdadeira fé, pois as pessoas se baseiam na expectativa de prodígios. Jesus faz um milagre, curando o filho de um funcionário, mas seu gesto só foi possível quando aquele homem acreditou na palavra, entrando no mundo da confiança e da fé. 


Dia 28 de março, terça-feira: 1a leitura: Ez 47,1-9.12; Evangelho: Jo 5,1-16.
A Quaresma é tempo de purificação. Temos necessidade da água pura, de que fala Ezequiel, para lavar nossas almas e alcançar a vida eterna. No sacramento da reconciliação a ser buscado neste período, encontraremos a água pura que nos purifica e santifica, afastando o pecado. É o coração que precisa ser curado; é o amor ao Senhor que deve crescer e tornar-se mais autêntico.


Dia 29 de março, quarta-feira: 1a leitura: Is 49,8-15; Evangelho: Jo 5,17-30.
No curso da história, quanta gente pretendeu oferecer o segredo da felicidade humana, e os acontecimentos mostraram a vaidade de suas pretensões. Jesus manifestou-se ainda mais audaz! Ousou afirmar que, à Sua palavra, os mortos reviverão. E por isso as pessoas se escandalizam. Só podem vencer esse escândalo os que recebem de Deus a graça de entender que
aquele que pronuncia tais palavras vai além das forças que controlam o mundo, mas traz consigo um amor eterno, única fonte da verdadeira vida.

Dia 30 de março, quinta-feira:
1a leitura: Ex 32,7-14; Evangelho: Jo 5,31-47.
Até hoje, há um modo de referir-se a Deus buscando justificar a si mesmo. Há um modo de usar a Escritura voltado a impor a própria visão da realidade espiritual. Jesus quer continuar a obra de Moisés e realizar a vontade do Pai. Mas não quer usar Moisés e o Pai para impor-se. Ele não quer glorificar a Si próprio, pois sabe que o Pai manifestará a verdade com os frutos de Sua obra.

Dia 31 de março, sexta-feira:
1a leitura: Sb 2,1a.12-22; Evangelho: Jo 7,1-2.10.25-30.
A verdadeira queda-de-braço entre Jesus e Seus inimigos já é um fato público. Alguns habitantes de Jerusalém observam de longe! Parece- lhes impossível que Jesus seja o Messias, pois as concepções da época davam conta de que o Salvador viria de forma misteriosa e inesperada. Não sendo capazes de ir além das aparências,
desconhecem o mistério de Jesus, Aquele que vem em nome de um Outro, que O enviou!

Dia 1o de abril, sábado: 1a leitura: Jr 11,18- 20; Evangelho: Jo 7,40-53.
Jesus impressiona profundamente as multidões: “Ninguém jamais falou como este homem!”. Mas diante dEle as autoridades percebem que entra em crise seu controle sobre o povo. Com a Palavra de Deus, no dia de hoje, com a denúncia contra os chefes do povo que hostilizam Jesus, é desmascarado o pecado do homem, sempre pronto a encontrar argumentos para fugir à verdade. Nos conflitos das leituras de hoje, todos nós estamos envolvidos!


Para concluir sua oração de retiro, escolha um salmo que resuma o que você rezou e suscite um propósito para sua vida.

Sacramento da penitência
Aproxima-se a Semana Santa. Procure nestes dias um sacerdote para sua confissão. Confessando- se com antecedência, você possibilitará a
muitos “operários de última hora” a oportunidade de encontrar confessores disponíveis durante a Semana Santa.

Práticas de piedade
Aproveite o Retiro Popular para rever seu modo e seu programa de oração pessoal – como a oração da manhã e da noite, oração às refeições, rosário, via-sacra.