Terceira semana da Quaresma
Palavra de vida eterna

Para viver a Palavra, é bom lembrar que não existe a “minha verdade”, mas “A Verdade”! E ela tem nome, é alguém, que é sabedoria de Deus: Jesus Cristo. Com esta luz, experimente viver a Palavra nesta semana:

“Para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. Pois o que é considerado insensatez de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é considerado fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1Cor 1,24-25)."

A Lei do Senhor é perfeita “Torá” quer dizer Caminho de Vida. Mas a palavra foi traduzida como “Lei”, empobrecendo seu sentido original. Ela foi dada no monte Sinai e era antes de tudo uma Carta de Liberdade. Ela tem uma abertura solene: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirou da terra do Egito” (Ex 20,1- 17). Os israelitas eram convidados a tomar posse do dom de Deus, graças ao qual se conscientizavam de estarem na vanguarda da civilização. Tinham atravessado o mar Vermelho e assim haviam renascido numa nova luz, como depositários do presente maior, a verdade que garantia a dignidade de cada pessoa. “Qual é a grande nação que tem mandamentos e preceitos tão justos como esta lei que vos apresento hoje?” (Dt 4,8). A história do povo de Deus no Antigo Testamento está cheia da certeza de que ali estava a dignidade que lhe era própria, ainda que fosse reconhecidamente pequeno no conjunto das nações: “Não é porque sois mais numerosos que todos os outros povos que o Senhor se uniu a vós e vos escolheu; ao contrário, sois o menor de todos” (Dt 7,7). Sua grandeza se encontra na fidelidade à aliança. Também a Igreja em nosso tempo é chamada, em seus pastores e fiéis, a caminhar na estrita fidelidade à nova e eterna aliança, selada no Sangue de Cristo, o novo e definitivo templo (Jo 2,13-25), num mundo diferente, pluralista e provocador. De fato, há um verdadeiro bombardeio sobre a Igreja e a vida cristã. Nos tempos do “politicamente correto”, a sociedade cobra respeito a todas as diferenças existentes, mas parece inaceitável aos olhos dessa mesma sociedade ser fiel a Deus e cumprir Seus mandamentos. Pode parecer que mais livre é aquele que vive no pecado e na maldade. As causas de tal reação são diversas. Talvez uma delas seja o fato de que o testemunho de muitos cristãos não tenha sido tão autêntico. O desafio da resposta, no amor, está em nossas mãos. Somos convidados a um passo de conversão na terceira semana da Quaresma, para que nos-sa vida demonstre que mais atualizado é aquele que ama a vida (quinto mandamento), lutando contra o aborto! Cabe-nos testemunhar a pureza e a castidade (sexto e nono mandamentos) através da limpidez do testemunho de homens e mulheres que vivem tais valores. A nós é entregue a bandeira da honestidade (sétimo e décimo mandamentos), que vai contra a correnteza da corrupção! As pessoas estão sedentas de gente que escolha Deus em primeiro lugar e viva a alegria do discipulado (os três primeiros mandamentos). Sua família, na qual está na moda o “honrar pai e mãe” e onde se aprende a “não levantar falso testemunho” e dar testemunho da verdade, tem seu lugar na sociedade (oitavo mandamento). Mesmo quando tudo parece destruído, olhamos para o Senhor, sabendo que em três dias o templo de Seu Corpo foi reconstruído (Jo 2,13-25). Nossa fé é pascal, e não haveremos de desperdiçar todas as oportunidades de purificação que nos são oferecidas, para que sejamos um povo santo, amado pelo Senhor, purificado pelo mistério da Cruz, Sabedoria de Deus para qualquer época.

Roteiro do retiro popular
O terceiro domingo da quaresma
Dia 19 de março

Hoje é domingo “Instituído para amparo da vida cristã, o domingo adquire naturalmente também um valor de testemunho e anúncio. Dia de oração, de comunhão, de alegria, ele repercute-se sobre a sociedade, irradiando sobre ela energias de vida e motivos de esperança. O domingo é o anúncio de que o tempo, habitado por Aquele que é o Ressuscitado e o Senhor da história, não é o túmulo das nossas ilusões, mas o berço dum futuro sempre novo, a oportunidade que nos é dada de transformar os momentos fugazes desta vida em sementes de eternidade. O domingo é convite a olhar para diante, é o dia em que a comunidade cristã eleva para Cristo o seu grito: ‘Vinde, Senhor!’ (1Cor 16,22). Com esse grito de esperança e expectativa, ela faz-se companheira e sustentáculo da esperança dos homens. E domingo a domingo, iluminada por Cristo, caminha para o domingo sem fim da Jerusalém celeste, quando estiver completa em todas as suas feições a mística Cidade de Deus, que ‘não necessita de Sol nem de Lua para iluminá-la, porque é iluminada pela glória de Deus, e a sua luz é o Cordeiro’ (Ap 21,23)” (João Paulo II, carta apostólica Dies Domini, n. 84).

Viva este dia com rosto de ressuscitado!

Antes de sua oração de retiro, reze assim:

Nós Te seguiremos, Senhor Jesus. Mas, para que Te sigamos, chama-nos, pois, sem Ti, ninguém caminha. Tu és, com efeito, o Caminho, a Verdade e a Vida. Recebe-nos como estrada acolhedora. Acalma-nos como só a Verdade pode acalmar. Vivifica-nos porque só Tu és a Vida. (Santo Ambrósio)

Faça sua leitura orante da palavra de Deus
Os textos propostos pela Igreja para este domingo são: Ex 20,1-17; 1Cor 1,22-25; Jo 2,13-25. É o tempo da conversão, como um retorno à fidelidade para com a vontade de Deus pela identificação com Cristo, Aquele que leva a Lei à sua perfeição, com Seu sacrifício redentor. Para concluir sua oração dominical de retiro, escolha um salmo, como se sugere no roteiro.


Caridade em ação A terceira semana da Quaresma começa com a proposta do jejum dos olhos. Com a luz da Palavra de Deus – “Em Vós está a fonte da vida, e é na Vossa luz que vemos a luz” (Sl 35,10) – procure enxergar o bem em torno de si e estimular tudo o que possa edificar a vida das pessoas Deus, rico em misericórdia Como temos feito neste Retiro Popular, a cada semana está à nossa disposição uma parte da encíclica sobre o Pai Misericordioso, de João Paulo II. Leia nesta semana o número 6: “A fidelidade a si próprio por parte do pai exprime-se de modo particularmente denso de afeto. Lemos, com efeito, que, ao ver o filho pródigo regressar a casa, o pai, ‘movido de compaixão, correu ao seu encontro, abraçou-o efusivamente e beijou-o’. Procede deste modo levado certamente por profundo afeto; e assim se explica também sua generosidade para com o filho, generosidade que causará tanta indignação no irmão mais velho. Todavia, as causas de sua comoção hão de ser procuradas em algo mais profundo. O pai sabe que o que se salvou foi um bem fundamental: o bem da vida de seu filho. Embora tenha esbanjado a herança, a verdade é que sua vida está salva. Mais ainda, esta, de algum modo, foi reencontrada. É o sentido das palavras dirigidas pelo próprio pai ao filho mais velho: ‘Era preciso que fizéssemos festa e nos alegrássemos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado’. No mesmo capítulo 15 do Evangelho de São Lucas lemos as parábolas da ovelha desgarrada e reencontrada e a seguir a da dracma perdida e de novo achada. Em cada uma dessas parábolas é posta em evidência a mesma alegria que transparece no caso do filho pródigo. A fidelidade do pai a si próprio está inteiramente centralizada na vida do filho perdido, na sua dignidade. Assim, sobretudo, se explica a imensa alegria que manifesta quando o filho volta para casa. Pode-se dizer, portanto, que o amor para com o filho, o amor que brota da própria essência da paternidade, como que obriga o pai, se assim podemos nos exprimir, a desvelar-se pela dignidade do filho. Essa solicitude constitui a medida do seu amor; amor do qual escreverá São Paulo: ‘A caridade é paciente, é benigna [...], não busca o próprio interesse, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido [...] rejubila com a verdade [...], tudo espera, tudo suporta’ e ‘não acaba nunca’. A misericórdia apresentada por Cristo na parábola do filho pródigo tem a característica interior do amor, que no Novo Testamento é chamado ‘ágape’. Esse amor é capaz de debruçar- se sobre todos os filhos pródigos, sobre qualquer miséria humana e, especialmente, sobre toda miséria moral, sobre o pecado. Quando isso acontece, aquele que é objeto da misericórdia não se sente humilhado, mas como que reencontrado e ‘revalorizado’. O pai manifesta-lhe alegria, antes de mais nada por ele ter sido ‘reencontrado’ e por ter ‘voltado à vida’. Essa alegria indica um bem que não foi destruído: o filho, embora pródigo, não deixa de ser realmente filho de seu pai. Indica ainda um bem reencontrado: no caso do filho pródigo, o regresso à verdade sobre si próprio.”

A terceira semana da quaresma
Saiba escolher o tempo melhor para sua oração pessoal de retiro, seguindo o roteiro proposto e as indicações dos textos para cada dia. Nesta semana, temos duas solenidades especiais, a Festa de São José e o Dia da Anunciação do Senhor, que nos estimulam mais ainda à crescente fidelidade à Aliança que Deus estabeleceu com Seu povo.

Leitura orante da palavra de deus

Dia 20 de março, segunda-feira, São José: 1a leitura: 2Sm 7,4-5a.12-14a.16; 2a leitura: Rm 4,13.16-18.22; Mt 1,16.18-21.

A Salvação é operada por Deus, mas ela não se realiza sem a cooperação do ser humano, que acolhe a manifestação da vontade do Pai. A solenidade de São José é oportunidade para um crescimento na fidelidade a Deus e a Sua Palavra.

Dia 21 de março, terça-feira: 1a leitura: Dn 3,25.34-43; Evangelho: Mt 18,21-35.
O cristão está sempre aberto ao perdão diante de qualquer ofensa, mesmo das mais pesadas. A raiz do perdão a ser oferecido ao próximo é o fato de que precisamos do perdão de Deus, que se liga sempre à nossa capacidade de perdoar. A Quaresma é a “festa do perdão”!

Dia 22 de março, quarta-feira: 1a leitura: Dt 4,1.5-9; Evangelho: Mt 5,17-19.
Nosso Senhor Jesus Cristo não veio para destruir, mas para completar e aperfeiçoar o que foi dito antes. Jesus veio dar transparência, coerência e autenticidade ao cumprimento da lei.


Dia 23 de março, quinta-feira: 1a leitura: Jr 7,23-28; Evangelho: Lc 11,14-23.
Quantas pessoas, deixando-se guiar pelas forças mais obscuras existentes em seu interior, chegam a ver como erro e maldade a própria verdade e a chamar de trevas a própria luz. Será que sempre conseguimos evitar esse tipo de perversão? Muitas vezes transformamos em barro a água límpida que está à nossa disposição. Abramos o coração para a purificação, cuja raiz está no Batismo que um dia recebemos.

Dia 24 de março, sexta-feira: 1a leitura: Os 14,2-10; Evangelho: Mc 12,28b-34.
O mandamento do amor a Deus e ao próximo foi expresso de modo maravilhoso por Santa Edith Stein: “Parece-me que quanto mais uma pessoa é atraída para Deus, tanto mais deve sair de si mesma para se voltar para o mundo e levar a todas as pessoas o amor divino”. “O amor dá o máximo significado a tudo o que nos circunda. Não é um simples sentimento: é a verdade e é a alegria que está na origem de tudo o que Deus criou” (Rabindranath Tagore).


Dia 25 de março, sábado, Anunciação do Senhor: 1a leitura: Is 7,10-14; 8,10; 2a leitura: Hb 10,4-10; Lc 1,26-38.
A criança, ser de carne, nasce da carne. Mas pode se tornar completamente ela mesma se é também fruto do amor. Jesus, Filho de Deus, nasce do Espírito, gerado de uma mulher cuja existência é totalmente imbuída pela fé. Em Maria se realiza a vocação do povo eleito. Aquela que é a flor mais bonita nascida daquele povo se abre completamente à Palavra de Deus. Essa Palavra pode então frutificar e se afirmar plenamente em Jesus, Salvador do mundo, que oferece a Deus o verdadeiro sacrifício. Para concluir sua oração de retiro, reze o Salmo 24, com a certeza de que, mesmo nas situações mais difíceis, quando nos sentimos sem rumo ou alquebrados por nossas próprias falhas, há uma saída. Nossa vida pode sempre desembocar num amor mais forte do que todas as forças do mundo:

Senhor meu Deus, a Vós elevo a minha alma, em Vós confio: que eu não seja envergonhado! E nem triunfem sobre mim os inimigos! Não se envergonha quem em Vós põe a esperança, mas, sim, quem nega por um nada a sua fé. Mostrai-me, ó Senhor, Vossos caminhos, e fazeime conhecer a Vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação; em Vós espero, ó Senhor, todos os dias! Recordai, Senhor meu Deus, Vossa ternura e Vossa compaixão, que são eternas! Não recordeis os meus pecados quando jovem, nem Vos lembreis de minhas faltas e meus delitos! De mim lembrai- Vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor! O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres Ele ensina Seu caminho. Misericórdia e verdade são os caminhos do Senhor para quem guarda Sua Aliança e Seus preceitos. Ó Senhor, por Vosso nome e Vossa honra, perdoai os meus pecados, que são tantos!

Qual é o homem que respeita o Senhor? Deus lhe ensina os caminhos a seguir. Será feliz e viverá na abundância, e seus filhos herdarão a nova terra. O Senhor se torna íntimo aos que O temem e lhes dá a conhecer Sua Aliança. Tenho os olhos sempre fitos no Senhor, pois Ele tira meus pés das armadilhas. Voltai-Vos para mim, tende piedade, porque sou pobre, estou sozinho e infeliz! Aliviai meu coração de tanta angústia, e das minhas aflições me libertai! Considerai minha miséria e meu sofrimento e concedei Vosso perdão aos meus pecados! Que a retidão e a inocência me protejam, pois em Vós coloquei minha esperança! Ó Senhor Deus, libertai Israel de toda sua angústia e aflição!